domingo, 9 de fevereiro de 2014

15-12-2013 – Praia, praia, praia, praia ....... praia.....

O projeto praia é uma pulga que já faz anos que estava na minha orelha. Falei projeto porque desta vez o passeio necessitava de mais informações e alguns acompanhamentos. Para quem acha projeto demais, eu na verdade só estou fazendo como os demais companheiros de viagem fazem, ao meu ponto de vista fazem bem, a pessoa planejando evita problemas e surpresas no caminho.

Meu pai era natural de Arroio Grande (clique), criado na zona rural, como o pessoal não tinha televisão naquela época ele tinha mais 5 irmãos, ele gostava muito de contar histórias das sua infância de como viva, o que faziam, como faziam e assim por diante... Sair com o pai era certo de ir escutando causos pelo caminho todo. Pai sinto saudades tuas, mas hoje na companhia do pai maior sei que estas passando a conversa neles!!!! Bueno, mas a família do meu avô era grande e um dia convidaram ele para veranear no Hermenegildo (clique), meu avô se bandeou do Arroio Grande para o Hermenegildo. Hermena para os íntimos é o balneário de Santa Vitória do Palmar (clique), no extremo sul do Rio Grande do Sul. Depois da passar alguns dias, não sei quantos, ele retornou comunicando que havia comprado um chalé por lá e que no próximo verão a trupe toda iria para o Hermena.

O detalhe é que hoje esse trajeto é feito pela BR 116 de Arroio Grande até Pelotas, Pelotas pela BR 392 até a vila da Quinta, caminho para Rio Grande (clique) e por fim 200 km pela BR 471 da Quinta até Santa Vitória do Palmar. Se seguir mais 20 km chega na primeira cidade do Brasil o Chuí (clique). Ou é a última cidade? Alguém me explica isso? Na época do meu avô, essa estrada da Quinta até Santa Vitória não existia, para ir a Santa Vitória a pessoa tinha que ir até o Cassino (clique) balneário de Rio Grande e pela praia ir até o Hermena, o ônibus intermunicipal fazia esse trajeto.

Assim eles foram, como haviam comprado a casa na primeira ida partiu um caminhão com toda a mobilha e uma parte da família, mais o carro do meu bisavô com outros integrantes. A viagem era feita em dois dias, então lá pelo Farol Albardão havia um ponto de parada onde o pessoal ficava a noite, no outro dia completava a viagem. Assim eles fizeram, alguns anos depois veio a estrada, o chalé virou uma grande casa para que pudessem ir os irmãos do meu pai com suas famílias, a casa passava cheia nos verões que por lá vivi e se for contar as histórias do meus verões por lá, muitas boas lembranças tenho!!!!

Faz alguns anos bons 10 anos que me despertou a vontade de fazer esse percurso, mas tudo ao seu tempo e quando se proporciona. No início de 2013 comecei a indagar alguns amigos de Santa Vitória mais cancheiros nesta travessia, afinal são 200 km de praia sendo, que 95% desses km não há ninguém. As dicas que recebi foram as seguintes:
- Lua cheia;
- Não pode ter chovido forte duas semanas antes de fazer a travessia;
- O vento não deve ser sul ou sudeste.

Resolvi dar uma investigada nas dicas, ver os fundamentos, a lua cheia proporciona na maré alta 40cm a mais de altura das águas do mar em relação a maré alta da lua nova.

As chuvas quando muito fortes enchem a Estação Ecológica do Taim (clique) e a Lagoa Mangueira (clique) o excesso vai para o mar, porém gera córregos na praia, alguns fundos. Há relatos de pessoas que caíram de carro em um córrego e por ser fundo a frente do carro bateu na vertical no fundo matando os ocupantes do veículo.

E o vento que sopra muito aqui pelo sul, se ele for sul não importa a maré o mar sobe e tira a praia.

Então foi definida uma data, 17-11-2013 os site de previsão de tempo não me aguentavam mais, mas no dia abortamos a partida pela chuva da semana que havia passado e pelo vento. No mês seguinte a lua cheia era no dia 15-12-2013 como o tempo vinha se portando bem e a previsão era boa, fiz um upgrade na motoca durante a semana, troquei as manoplas coloquei uma melhor do que as originais (por sinal muito ruim), coloquei uma bolha e um baú para a travessia. Peças compradas, oficina do Adriano pela tarde para as trocas. E o adesivo que ganhei colei no baú da motoca, tenho que bolar o meu!!!



Na manhã quando estava na loja comprando as peças encontrei um amigo motoqueiro, comentei com ele o que ia fazer ele me aconselhou de não fazer sozinho, que eu estava louco etc etc etc... O fato é que sempre falo para os amigos os passeios que vou fazer, por onde vou andar o que vou conhecer ... todos querem ir, chega na hora ninguém aparece! Como já estou calejado disso geralmente estou sempre sozinho na estrada!!

Percurso, achei esse na internet, mas como estou escrevendo hoje, tentei procurar a fontes e não encontrei, então se o dono ver isso é só mandar o contato que eu coloco a fonte.



Domingueira 6:30 alvorada!!!!!! Bora rumo ao Molhes do Cassino, os Molhes de Rio Grande oferecem o serviço de Vagonetas, é um veículo sem teto que anda em cima de trilhos e avança alguns km no mar por dentro dos molhes. Em São José do Norte (clique) existe outro Molhe, na verdade são braços paralelos para a entrada do Porto de Rio Grande, segundo maior do Brasil. Os de São José pode-se percorrer de carro, mas não sei como é o acesso. Zeramos o odometro partimos rumo ao sul.













Entrei no Cassino para abastecer, posto agora só em Santa Vitória, no Hermena não há posto de gasolina. Alguns bons anos atrás estava eu atendendo um cliente no Hermena, chega um Jipeiro apavorado, vindo do Cassino pela praia sem gasolina para mais km, alguém emprestou para ele, mas até a cidade ele falou que não chegava, fica o alerta ai!!!













Passei pelo Altair (clique) barco que encalhou na beira da praia perto do Cassino.




Algumas fotos do Altair do Face do Cassineiro.







Andando um pouco mais e o Farol Sarita, habitado por pássaros e mato.






















O Farol Verga também sem funcionar, serve de abrigo para os perdidos pela praia, acreditem tem gente que faz esse percurso a pé.










E chegamos ao Albardão, farol guarnecido pela Marinha, onde fomos bem recebidos para conhecer o Farol e as instalações dos marinheiros.































Batida da porta do farol



Algumas boias no meio do caminho….






Por fim Hermenegildo, o projeto era até os molhes do Chuí, molhes que foram construídos para definir o exato trajeto do Arroio Chuí que é o que define a fronteira nesta área entre o Brasil e o Uruguai. No Arroio Chuí pela barra do Chuí Uruguaia é possível ver o marco do ponto mais meridional do Brasil.



Na volta passei pela Capilla um balneário as margens da Lagoa Mirim (clique), como já o conhecia toquei a viagem.












Comida e água levei no baú que tem espaço para dois capacetes, uma dica para quem for fazer o caminho de moto, levar uma tabuinha forte para colocar abaixo do pé da moto quando parar, afinal o solo não é firme e com o peso da moto pode afundar e ela tombar. Se esquecer procura pela praia é certo encontrar madeira.


Pessoal espero que tenham gostado, abraço!!